segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MEC estuda aumentar, de 200 para 220, os dias letivos nas escolas

Passa por estudo no Ministério de Educação e Cultura (MEC), uma proposta para ampliar a jornada escolar obrigatória nas escolas públicas e particulares brasileiras.
Propõe-se que as escolas aumentem seu número de dias letivos de 200 para 220, ou então o total de horas de aulas por dia.
Caso a proposta seja adotada, haverão mudanças no sistema educacional, como por exemplo, a contratação ou a ampliação da jornada dos docentes e um aumento nas mensalidades da rede privada. O prazo para que as escolas se adaptem seria de até quatro anos.
Apenas 6% dos alunos brasileiros assistem sete horas ou mais de aula diariamente, de acordo com dados do Censo Escolar 2010. A jornada atual é de quatro horas diárias.
Na opinião da diretora da Superintendência Regional de Ensino (SRE Uberaba), Vânia Célia Ferreira, o assunto ainda se mostra muito complicado. "Não sabemos ainda como será feito. Nós trabalhamos com o mínimo, mas o que precisa ser feito é um aumento da qualidade do ensino como um todo, porque não adianta aumentar o dia de aula se não investir no professor, na sua carreira, no seu salário. Portanto, não é só aumentar os dias letivos, até porque, hoje em dia, os alunos estão passando a ficar mais tempo na escola, quase em tempo integral, então se for por causa de uma carga horária maior, nós já estamos trabalhando", explica.
O projeto ainda precisa de mudanças e alterações até ser enviado ao Congresso, e entidades como o Conselho Nacional de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) participam ativamente das discussões sobre a proposta. (MS)
 

sábado, 27 de agosto de 2011

MEC: escolas não priorizam ensino de matemática

Os alunos do 3° ano do ensino fundamental têm mais dificuldade em matemática do que em leitura - apenas 42% dominam a adição e a subtração e conseguem solucionar problemas envolvendo, por exemplo, notas e moedas. Os resultados foram medidos por meio de uma avaliação aplicada a 6 mil estudantes, de escolas públicas e privadas, das 27 capitais.

Para a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda, nos últimos anos os governos municipais, estaduais e federal, além das próprias escolas, focaram mais a questão da alfabetização nos primeiros anos do ensino fundamental, quando 56% têm o domínio adequado da leitura, o que pode explicar o resultado inferior em matemática. "O diagnóstico tem que ser olhado com muito cuidado, e tem que servir para iluminar as nossas políticas. Em relação a matemática, é como se ele fosse um sinal laranja", disse.

A avaliação

A Prova ABC tem o objetivo é aferir o nível de aprendizado das crianças no início da vida escolar, após os três primeiros anos de estudo. Do total de alunos participantes, mais de 40% não têm o aprendizado em leitura esperado para esta fase, ou seja, que não dominam bem atividades como localizar informações em um texto ou o tema de uma narrativa. Em matemática, 57% teve desempenho abaixo do adequado.

O Ministério da Educação só avalia os estudantes a partir do 5º ano do ensino fundamental. Antes desta fase, o único instrumento que existe para aferir o nível de aprendizado dos alunos é a Provinha Brasil, exame que é aplicado pelo próprio professor e serve para que ele possa saber como está o desenvolvimento dos seus alunos. Os resultados não são divulgados.

Até o ano passado, a Provinha Brasil avaliava apenas os conteúdos de português e, a partir de 2011, a matemática foi inserida. "O que a gente enxerga é que todos os nosso programas relacionados à alfabetização e à leitura estão efetivamente dando resultado. Sabemos que esse resultado (superior em leitura do que em matemática) tem relação com a Provinha Brasil, os programas de literatura infantil e o Pró-Letramento que tem formado muitos professores na área de alfabetização".

A secretária avalia que agora é necessário aprofundar as ações em relação a matemática, especialmente a formação dos professores.

Escolas públicas x escolas particulares

As notas da Prova ABC também tiveram grande variação para mais entre os participantes das escolas particulares em comparação com os da rede pública. Em leitura, a média dos alunos das escolas públicas foi 175,8 pontos contra 216,7 entre os da rede privada. As habilidades dos estudantes com os números também foi superior na rede privada, cuja média foi 211,2 pontos contra 158 na pública.
Para Pilar Lacerda, o resultado está ligado à condição socioeconômica dos alunos. "São as crianças de famílias menos escolarizadas que têm mais dificuldade na aquisição da literatura e desses conhecimentos. A escola faz a diferença quando consegue garantir a aprendizagem mesmo para quem não vem com essa bagagem de casa. Os alunos das escolas particulares ganham livro quando são bebês, têm o hábito de ouvir histórias desde pequenos. A escola tem que fazer esse papel que a gente chama de efeito escola", avaliou.